domingo, 26 de julho de 2015

Double standards e indignação seletiva

Há pouco li a notícia de que um garoto do meu bairro havia sido morto em uma tentativa de assalto. Meu bairro é uma mistura entre as mais variadas classes, então vou ser mais clara. Um garoto branco, classe média, detentor do bom e do melhor.
Queria saber qual seria a reação de seus amigos e entes queridos se eu postasse o link da notícia e dissesse que foi bem feito, porque bandido bom é bandido morto e que é menos um assaltando nossas famílias de bem por aí.
É claro que achariam um absurdo.

Porque realmente seria um absurdo, aliás. A questão é que é um absurdo falar isso de qualquer morte. Mas na realidade não é bem por aí.
Vamos à uma matemática: 80% da população é a favor da pena de morte. E isso inclui as mortes de quando os juízes, na realidade, são os PMs. Sendo assim, dentre 20 pessoas que julgam a ação da PM na morte de um jovem branco de classe média, há 16 hipócritas.
Não digo que a morte de jovens brancos e abastados não deva ser lamentada. Repito que uma vida é uma vida e que deve, sim.



O que eu digo aqui é: double standards. 
O que é isso? Bem, é o que acontece quando essas 16 pessoas lamentam esta morte, mas acham a do criminoso pobre e negro justa, porque foi menos um ser abominável na sociedade.
É o que acontece quando essas 16 pessoas acham que, quando é o jovem burguês, era bom e ainda teria uma vida pela frente. Mas debocham quando a mãe do jovem periférico diz na TV que seu filho era boa pessoa, já que o acham ruim de natureza e merece a morte por ser irrecuperável.
Essas 16 pessoas já devem ter reproduzido a frase "quando for um conhecido seu, você vai mudar de ideia". Pois bem, agora foi. Mas e você? Mudou de ideia?

Pra ficar mais claro, double standards é a expressão usada para situações quando são usados princípios e reações diferentes para situações similares.