Esse é um texto meio diferente do normal por ser bem mais pessoal.
(E sempre lembrando que: mantenham em mente que quando digo homem, quero dizer homem cis hetero etc padrãozão da massa.)
Quando eu tinha uns 14, 15 anos, percebi que pra uma menina conquistar um garoto, ela precisava ser difícil. As meninas difíceis, que não pegavam assim, logo de cara, eram as que valiam a pena. Sempre me dei mal dentro dessa lógica porque nunca vi muito sentido em me privar das minhas vontades, mas entendo totalmente o lado delas, justamente por acabar me sentindo mal por ser tão fácil: Era a boa e velha busca pela aceitação masculina.
Mas o tempo passou, o feminismo - felizmente - apareceu na minha vida... E hoje me deparo com outra lógica.
Naquele momento, as garotas eram difíceis aos olhos dos moços porque eram difíceis.
Agora, as garotas são difíceis porque são fáceis.
Porque, no imaginário masculino, o que vejo hoje é uma missão de capturar feministas tal como se fôssemos POKEMONS.
As mulheres que chamavam a atenção deles eram as difíceis: as recatadas, discretas, as que eles precisavam passar, no mínimo, uns três meses tentando "pegar". Se pegasse de primeira, podia descartar.
Aí veio o feminismo.
Mulheres passaram a pensar em si mesmas e a parar de se reprimir a fim de conquistar um valor que já é delas...
...E a liberdade acabou virando um fator atrativo.
E aí não só entra feminismo, mas como também entram todos os estereótipos de cool girl, de magic pixie dream girl... Eu venho pensando nesse texto há tempos e, enquanto isso, duas figuras da ficção não saíam da minha mente: Amy Dunne e Clementine Kruczynski.
Primeiro, a Amy: ela toca na ferida do que é a cool girl. Só o nome já te dá uma ideia do sentido da coisa. Garota Legal. Ela não é simplesmente legal, é uma GAROTA legal. Só o uso dessa já palavra te difere de todas as outras reles mortais, garotas tão chatas: porque ela é uma garota, mas é legal. Ou seja, basicamente, os caras entram em frenesi, entusiasmados com a liberdade que garantiremos a eles. É feminista, né, deve engolir. Deve topar ménage. Ela é uma garota legal, deve ser poliamor, jogar poker, comer sem se preocupar com engordar, não vai me acordar 3 da manhã com baboseira sentimental e eu vou poder pegar geral.
Mas essa liberdade cativa apenas em um primeiro momento: porque o negócio não é a admiração pelo fato de a mulher fazer o que quiser, é pela impressão de que ELES vão poder fazer o que quiserem.
É sempre a mesma ladainha: nossa! Ela não tem frescura! Ela arrota, fala de sexo abertamente, sabe gírias de futebol, vai pra balada, enche a cara, não liga se eu ficar com quem eu quiser.
Mas para por aí.
Porque a verdade é que homens podem ficar deslumbrados com a nossa liberdade no início, mas na primeira oportunidade, tentarão impor um limite a ela.
"Tão livre, tão sem frescura... Mas OPA, COMO ASSIM VOCÊ NÃO SE DEPILA?"
"Ela não liga se eu ficar com quem eu quiser, mas OPA, COMO ASSIM VOCÊ PEGOU OUTRO CARA?"
"Ela não deve querer essas coisas chatas de meninas, mas OPA, UÉ, COMO ASSIM VOCÊ É UM SER HUMANO COM SENTIMENTOS E EU PRECISO LIDAR COM ELES?"
E, por isso, é aí que entra a Clementine. Depois que eu assisti Eternal Sunshine of the Spotless Mind e conheci uns tantos caras que fizeram exatamente tudo que eu acabei de falar, minha vontade foi de citar uma fala genial dela para todos eles.
"Muitos caras pensam que eu sou um conceito, que eu os completo ou que eu vou fazer com que eles se sintam vivos. Mas eu sou só uma garota ferrada que está procurando pela minha própria paz de espírito. Não me encarregue da sua."
E sabem o que eu mais gosto nesse diálogo, tão cheio de significado, em que ela fala isso? Que depois, Joel diz que "eu ainda achei que você salvaria minha vida... Mesmo depois de dizer aquilo".
Pois é.
Além de não se preocuparem com a nossa carga emocional na maioria esmagadora das vezes - porque, afinal, Garotas Legais nem ao menos têm sentimentos - ainda querem que nós nos responsabilizemos pelos deles. Freud deve explicar... Aquela coisa toda de tratar namoradas como mães. Não sei.
Sinceramente, só sei que 'tô bem cansadinha de tratarem o feminismo como MAIS um item a ser fetichizado. Queria que entendessem que minha liberdade nada tem a ver com os homens, mas sim com a minha emancipação.
Ou você aceita o pacote completo, ou não me venha aceitar somente a parcela que te convém.
domingo, 15 de maio de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
O feminismo cagador de regra
Primeiro, queria lembrar que em contraponto ao título, o que vou tratar aqui não é pauta feminista, mas sim questão de bom senso básico.
Ana Paula é uma participante do BBB 16 que, no início do programa, afirmou que era machista. No entanto, essa mesma Ana Paula foi a ÚNICA a se revoltar com a declaração de Laércio, 53 anos, de que gosta de "novinhas" de 16, 18 anos. Viram só? Não precisa ser feminista pra se revoltar com pedofilia.
E o pior é o que Ana Paula e os demais participantes não sabem. Que aqui fora ele tem fama de usar a carta do "você parece mais velha" com menor de idade, que coloca fetiche infantilizado como foto de perfil no facebook e ainda por cima admite que gosta de "comer mina bêbada". Não sei o porquê, mas a falta de consentimento delas pode ter a ver com isso.
Isso tudo seria o suficiente pra que o mundo o espezinhasse e o visse como o pedófilo estuprador que ele é, mas não. O que eu vejo é gente chamando a Ana Paula de louca histérica (alguém aí está surpreso?) e dizendo que ele não é pedófilo com base nas leis.
Sim, nas leis. Antigamente, a lei não permitia que brancos e negros ocupassem os mesmos espaços no transporte público estadunidense. Até pouco tempo, a lei não permitia o casamento homossexual por lá. Aqui no Brasil, a lei não permite o uso recreativo de maconha. E as mesmas pessoas que julgam leis como injustas e arbitrárias, defendem um homem de 53 anos que namora meninas de 16 porque na lei pedofilia só é considerada até os 14 anos.
Passada a questão das leis, entra a preciosa liberdade individual. Aquela que o feminismo cagador de regra malvado quer extinguir.
Eu não acredito em usar liberdade individual como desculpa enquanto nós vivermos em coletividade porque esta nos molda, principalmente nossos "gostos". Existe uma cultura que hipersexualiza crianças e adolescentes, que vê na Lolita, na menina inocente um símbolo sexual, que obriga mulheres a se depilar para que seus corpos continuem parecendo pré-púberes e que elas nunca envelheçam. Gosto é preferir goiaba a maçã. Homem de 40, 50, 60 anos gostar de menina de 15 não é "gosto", não é "preferência". É parte da cultura da pedofilia.
Quando um texto problematizando o relacionamento entre Mallu Magalhães e Marcelo Camelo explodiu, vi gente reclamando que "esquerda antigamente era sinônimo de liberdade". De que liberdade você está falando? Liberdade de se relacionar com adolescentes como se isso não fosse errado e nada te acontecer? De só se relacionar com brancas, magras, dentro do padrão e ninguém apontar o problema que há nisso? Liberdade de quem? De homens? Porque mulheres continuam reféns de um sistema de opressão que as fazem acreditar só serem úteis enquanto novas ou fizerem artimanhas para que suas reais idades não sejam denunciadas. Isso não é ser libertário. Revolucionário é emancipar mulheres e enquanto você, homem de esquerda, fizer pirraça quando uma delas apontar problemáticas no seu comportamento, será tão conservador e reacionário como a direita que você tanto critica.
Se cagar regra significa proteger mulheres, eu vou cagar regra, sim. O que eu não vou fazer é fechar os olhos em nome de uma liberdade que não existe pra quem eu defendo.
Ana Paula é uma participante do BBB 16 que, no início do programa, afirmou que era machista. No entanto, essa mesma Ana Paula foi a ÚNICA a se revoltar com a declaração de Laércio, 53 anos, de que gosta de "novinhas" de 16, 18 anos. Viram só? Não precisa ser feminista pra se revoltar com pedofilia.
E o pior é o que Ana Paula e os demais participantes não sabem. Que aqui fora ele tem fama de usar a carta do "você parece mais velha" com menor de idade, que coloca fetiche infantilizado como foto de perfil no facebook e ainda por cima admite que gosta de "comer mina bêbada". Não sei o porquê, mas a falta de consentimento delas pode ter a ver com isso.
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| Mas o Laércio não precisa se tratar, ele tá ok |
Isso tudo seria o suficiente pra que o mundo o espezinhasse e o visse como o pedófilo estuprador que ele é, mas não. O que eu vejo é gente chamando a Ana Paula de louca histérica (alguém aí está surpreso?) e dizendo que ele não é pedófilo com base nas leis.
Sim, nas leis. Antigamente, a lei não permitia que brancos e negros ocupassem os mesmos espaços no transporte público estadunidense. Até pouco tempo, a lei não permitia o casamento homossexual por lá. Aqui no Brasil, a lei não permite o uso recreativo de maconha. E as mesmas pessoas que julgam leis como injustas e arbitrárias, defendem um homem de 53 anos que namora meninas de 16 porque na lei pedofilia só é considerada até os 14 anos.
Passada a questão das leis, entra a preciosa liberdade individual. Aquela que o feminismo cagador de regra malvado quer extinguir.
Eu não acredito em usar liberdade individual como desculpa enquanto nós vivermos em coletividade porque esta nos molda, principalmente nossos "gostos". Existe uma cultura que hipersexualiza crianças e adolescentes, que vê na Lolita, na menina inocente um símbolo sexual, que obriga mulheres a se depilar para que seus corpos continuem parecendo pré-púberes e que elas nunca envelheçam. Gosto é preferir goiaba a maçã. Homem de 40, 50, 60 anos gostar de menina de 15 não é "gosto", não é "preferência". É parte da cultura da pedofilia.
Quando um texto problematizando o relacionamento entre Mallu Magalhães e Marcelo Camelo explodiu, vi gente reclamando que "esquerda antigamente era sinônimo de liberdade". De que liberdade você está falando? Liberdade de se relacionar com adolescentes como se isso não fosse errado e nada te acontecer? De só se relacionar com brancas, magras, dentro do padrão e ninguém apontar o problema que há nisso? Liberdade de quem? De homens? Porque mulheres continuam reféns de um sistema de opressão que as fazem acreditar só serem úteis enquanto novas ou fizerem artimanhas para que suas reais idades não sejam denunciadas. Isso não é ser libertário. Revolucionário é emancipar mulheres e enquanto você, homem de esquerda, fizer pirraça quando uma delas apontar problemáticas no seu comportamento, será tão conservador e reacionário como a direita que você tanto critica.
Se cagar regra significa proteger mulheres, eu vou cagar regra, sim. O que eu não vou fazer é fechar os olhos em nome de uma liberdade que não existe pra quem eu defendo.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Have you met... Misoginia?
[CONTÉM SPOILER. Tradução do título: "Você conhece... Misoginia?"]
Ano passado eu assisti a série How I Met Your Mother inteira. Comecei ano passado, terminei ano passado e digo isso por ser um detalhe importante.
Por a série ter começado em 2005, muita gente começou a assistir antes que estivesse integrada ao movimento feminista. Sendo assim, muito problema da série passou despercebido. Mas assistindo hoje, com muita coisa desconstruída, acho que os pontos bons é que passaram despercebidos. Mas não nego que, fazendo um esforço pra ignorar tudo isso, eu até gostei da série e imagino que pra maioria das feministas ela seja tipo aquele amigo de infância machista que não conseguimos deixar de gostar anos depois.
A série é misógina. Ponto. Não há brecha para tentar contornar isso. Isso se demonstra de muitas, muitas, muitas (...) muitas formas, desde o bom e velho slut-shamming, com a palavra "bitch" (vadia) sendo usada 739 vezes, até casos mais sutis e menos explícitos. Eu imagino que a proposta inicial não tenha sido sexista, vide os showrunners colocando o casal principal com papéis de gêneros invertidos: o homem querendo casar e ter filhos e a mulher não, focando na sua carreira. Mas não funcionou. Dois dos homens principais da série demonstram total desprezo ao gênero feminino de formas distintas. Um de forma deliberada, usando dos mais variados artifícios para "pegar mulher" e depois descartar; e o outro de forma sutil, sendo o estereótipo do cara legal que nunca está errado e não é devidamente recompensado pelo universo por suas boas ações com um bom útero pra produzir seus queridos filhotes.
A série teve boas oportunidades pra desconstruir a misoginia e não o fez. Por exemplo, depois de dar essa resposta maravilhosa ao Barney, Ted vai e diz que ele é quem deveria não gostar, justificando com suas experiências amorosas que deram errado. Como se suas experiências dessem errado pura e unicamente por culpa das mulheres (e não por ele ser um pé no saco. Mas isso aí já é opinião pessoal).
Outro exemplo foi na última temporada, quando Robin percebe que só tem Lily como amiga, tendo dificuldade para fazer amizade com outras mulheres por conta de todo o drama delas e blá-blá-blá-sexismo. A questão é que isso obviamente não é culpa dela. Na série, Robin é criada como um homem pelo pai que não queria ter uma filha. Essa misoginia internalizada faz todo o sentido dentro de sua história e, justamente por isso, fico tão chateada por não ter acontecido uma desconstrução.
Eu não queria tocar na questão do final da série por meu ponto aqui ser outro, mas até o jeito em que a Mãe aparece na vida do Ted apenas pra servir de encubadora e depois é descartada é bizarro. Porque obviamente o cara bonzinho precisava ter o que ele queria e ainda ficar com a mulher perfeita da série: a garota legal, focada na carreira, fria, sem paciência pra dramas femininos e com dificuldades de demonstrar sentimentos. Uma mulher que "parece um homem" é tudo que um cara pode querer.
E aí entra o meu ponto. Existem vários Teds por aí. Homens heterossexuais que, na verdade, só gostam de homens (quando digo homens, digo o que a sociedade tem como o que deve ser um homem). No mesmo episódio, Ted e Barney falam sobre como queriam ser gays. Porque, imagine, gostar de mulheres é uma tarefa ÁRDUA DEMAIS.
Mas o pior não é que eles não gostem de mulheres. O pior é que homens têm o direito de não gostar de mulheres. Tanto na ficção quanto na vida real.
Existem vários textos falando sobre o tema, recomendo esse. Por isso quero falar sobre como os double-standards* se manifestam até quando o assunto é misoginia.
Vejamos: na série, Lily namorou um garoto chamado Scooter. Eles terminaram há tempos, ela até chegou a casar com outro cara, mas Scooter não superou e continuou perseguindo-a de um jeito bizarro. Claro que isso virou um plot engraçadinho quando, na vida real, eu não duvido nada de que isso acabasse em feminicídio.
Agora imagine o seguinte: Por conta do comportamento doentio de Scooter, seria perfeitamente aceitável que, no enredo, Lily acabasse com trauma de relacionamentos, dizendo que não confia ou que tem medo de homens. E eu posso assegurar que ela seria tachada de louca, exagerada, que o pobre homem é apaixonado por ela e etc.
Enquanto isso, homens podem dizer que mulheres são chatas, que somos dramáticas, que tudo associado à feminilidade é irritante e... Ok.
Se um homem for picado por uma abelha e passar o resto da vida correndo delas e dizendo que as odeia, ninguém vai questionar.
Ninguém diz "para com isso, nem todas as abelhas são iguais."
Mas mulheres não têm o direito de ter traumas. Se uma ousar dizer que tem medo de homem por ter passado por uma situação horrível, será uma chuva de "mas nem todos os homens", ganhará o selo de misândrica e vocês sabem o resto.
Por isso, enquanto seguimos tentando mudar a realidade, no campo da ficção eu sugiro que assistam as séries da Shonda Rhimes: mulher, negra, idealizadora de personagens femininos fortíssimos, que dá um banho em Carter Bays e Craig Thomas quando o assunto é representatividade.
* double standards é a expressão usada para situações quando são usados princípios e reações diferentes para situações similares
Nota: Quando chamei o Ross de Friends de machista no twitter, vieram me atacar e não duvido que esse texto renda reações similares. Problematizei sua série preferida sim, se reclamar problematizo você também
Ano passado eu assisti a série How I Met Your Mother inteira. Comecei ano passado, terminei ano passado e digo isso por ser um detalhe importante.
Por a série ter começado em 2005, muita gente começou a assistir antes que estivesse integrada ao movimento feminista. Sendo assim, muito problema da série passou despercebido. Mas assistindo hoje, com muita coisa desconstruída, acho que os pontos bons é que passaram despercebidos. Mas não nego que, fazendo um esforço pra ignorar tudo isso, eu até gostei da série e imagino que pra maioria das feministas ela seja tipo aquele amigo de infância machista que não conseguimos deixar de gostar anos depois.
A série é misógina. Ponto. Não há brecha para tentar contornar isso. Isso se demonstra de muitas, muitas, muitas (...) muitas formas, desde o bom e velho slut-shamming, com a palavra "bitch" (vadia) sendo usada 739 vezes, até casos mais sutis e menos explícitos. Eu imagino que a proposta inicial não tenha sido sexista, vide os showrunners colocando o casal principal com papéis de gêneros invertidos: o homem querendo casar e ter filhos e a mulher não, focando na sua carreira. Mas não funcionou. Dois dos homens principais da série demonstram total desprezo ao gênero feminino de formas distintas. Um de forma deliberada, usando dos mais variados artifícios para "pegar mulher" e depois descartar; e o outro de forma sutil, sendo o estereótipo do cara legal que nunca está errado e não é devidamente recompensado pelo universo por suas boas ações com um bom útero pra produzir seus queridos filhotes.
A série teve boas oportunidades pra desconstruir a misoginia e não o fez. Por exemplo, depois de dar essa resposta maravilhosa ao Barney, Ted vai e diz que ele é quem deveria não gostar, justificando com suas experiências amorosas que deram errado. Como se suas experiências dessem errado pura e unicamente por culpa das mulheres (e não por ele ser um pé no saco. Mas isso aí já é opinião pessoal).
Outro exemplo foi na última temporada, quando Robin percebe que só tem Lily como amiga, tendo dificuldade para fazer amizade com outras mulheres por conta de todo o drama delas e blá-blá-blá-sexismo. A questão é que isso obviamente não é culpa dela. Na série, Robin é criada como um homem pelo pai que não queria ter uma filha. Essa misoginia internalizada faz todo o sentido dentro de sua história e, justamente por isso, fico tão chateada por não ter acontecido uma desconstrução.
Eu não queria tocar na questão do final da série por meu ponto aqui ser outro, mas até o jeito em que a Mãe aparece na vida do Ted apenas pra servir de encubadora e depois é descartada é bizarro. Porque obviamente o cara bonzinho precisava ter o que ele queria e ainda ficar com a mulher perfeita da série: a garota legal, focada na carreira, fria, sem paciência pra dramas femininos e com dificuldades de demonstrar sentimentos. Uma mulher que "parece um homem" é tudo que um cara pode querer.
E aí entra o meu ponto. Existem vários Teds por aí. Homens heterossexuais que, na verdade, só gostam de homens (quando digo homens, digo o que a sociedade tem como o que deve ser um homem). No mesmo episódio, Ted e Barney falam sobre como queriam ser gays. Porque, imagine, gostar de mulheres é uma tarefa ÁRDUA DEMAIS.
Mas o pior não é que eles não gostem de mulheres. O pior é que homens têm o direito de não gostar de mulheres. Tanto na ficção quanto na vida real.
Existem vários textos falando sobre o tema, recomendo esse. Por isso quero falar sobre como os double-standards* se manifestam até quando o assunto é misoginia.
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| "você gosta de garçons, eu posso ser um garçom, vou ser o melhor garçom da Terra e aí você vai me amar!" Tão bonitinho |
Agora imagine o seguinte: Por conta do comportamento doentio de Scooter, seria perfeitamente aceitável que, no enredo, Lily acabasse com trauma de relacionamentos, dizendo que não confia ou que tem medo de homens. E eu posso assegurar que ela seria tachada de louca, exagerada, que o pobre homem é apaixonado por ela e etc.
Enquanto isso, homens podem dizer que mulheres são chatas, que somos dramáticas, que tudo associado à feminilidade é irritante e... Ok.
Se um homem for picado por uma abelha e passar o resto da vida correndo delas e dizendo que as odeia, ninguém vai questionar.
Ninguém diz "para com isso, nem todas as abelhas são iguais."
Mas mulheres não têm o direito de ter traumas. Se uma ousar dizer que tem medo de homem por ter passado por uma situação horrível, será uma chuva de "mas nem todos os homens", ganhará o selo de misândrica e vocês sabem o resto.
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| Personagens negros e negras, homossexuais, lésbicas, protagonistas mulheres... E por aí vai |
* double standards é a expressão usada para situações quando são usados princípios e reações diferentes para situações similares
Nota: Quando chamei o Ross de Friends de machista no twitter, vieram me atacar e não duvido que esse texto renda reações similares. Problematizei sua série preferida sim, se reclamar problematizo você também
domingo, 15 de novembro de 2015
Vamos com calma, ninguém está te pedindo para não se comover com a França
Sobre os
acontecimentos recentes, vejo pessoas dizendo que a comparação
entre o que houve em Mariana e o que houve em Paris não deve ser
feita porque a) foram tragédias em âmbitos diferentes e que b)
tragédia é tragédia.
Pois bem, sobre a),
se o problema é a catástrofe ambiental, houve atentados terroristas
no Quênia, Nigéria, Tunísia, Kuwait e uma suspeita na Índia,
somente nesse último ano; sem falar em Beirute, nessa mesma semana.
Sobre b), o problema
é justamente que, na prática, esse discurso de que “tragédia é
tragédia” não funciona. E a partir de então, isso não pode ser
ignorado.
Quando se fala em
comoção seletiva, o problema maior não são as pessoas, é quem
passa a informação a elas. Porque enquanto a cada chamada de
noticiário há uma nova informação sobre a França, as pessoas
descobrem o que houve no Quênia sete meses depois, ou nem isso.
O problema não é o
Facebook sugerir foto em solidariedade à França.
O problema é eu não
lembrar de ele ter sugerido isso, por exemplo.
E ainda assim,
muitas vezes a informação é recebida e logo ignorada. O motivo é
claro e pode ser explicado pelo conceito de empatia.
em.pa.ti.a
sf (gr empátheia) Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma ora de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que ela está sentindo.
em.pa.ti.a
sf (gr empátheia) Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma ora de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que ela está sentindo.
Identifica.
Identificação. Se toda dor é dor, por que é tão mais fácil se identificar com a dor
europeia do que com as outras?
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| Imagem de Ribs: Filho feio não tem pai |
Não é olimpíada de tragédia, não. É simplesmente não ter a desonestidade de ignorar o holofote que existe virado pra Europa e pros Estados Unidos. Podem
justificar isso com “mas esses países são de maior importância,
então isso é normal”, mas… De maior importância? E o discurso
de que todas as tragédias são iguais?
E é obvio que
também sabem desviar esse holofote nos momentos mais oportunos; como
quando disfarçam que a história do Estado Islâmico em nada diverge
da história recente de países como os próprios Estados Unidos, que
corroboraram de forma direta – até mesmo com financiamento – ou
indireta para a sua formação.
Eu me solidarizo com
o povo francês. Mas com o Estado que, além de não se preocupar com
os civis Sírios que poderiam ser atingidos no seu ataque em Outubro,
instituiu leis que fomentam a xenofobia, não.
Estado esse que nem
ao menos sabe colher o que planta. Na realidade, mal dá pra dizer
que as populações colhem o que os Estados plantam. A elas só sobra
terra arrasada, mesmo.
Nota: o texto está bem, bem bem, bem (...) resumido. É impossível falar de uma questão tão complexa e sentir que ficou completo.
Nota: o texto está bem, bem bem, bem (...) resumido. É impossível falar de uma questão tão complexa e sentir que ficou completo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
O que esqueceram de contar às meninas sobre o amor livre
De uns tempos pra cá, vejo muitas pessoas aderindo ao amor livre, poliamor, relacionamentos abertos e coisas do gênero, inclusive eu. Há uma variedade de acordo com a escolha dos indivíduos. Namorar e poder se relacionar com outras pessoas, não namorar, namorar variás pessoas, enfim. O que eu quero falar aqui não é sobre os relacionamentos abertos em si, mas de uma palavrinha que eu acabei de usar.
Escolha.
Bom, é claro que ninguém deve se submeter a uma situação em que não se sinta confortável só por parecer bonito e moderno. Contudo, há alguém nessa história que já não foi criado para a monogamia. Alguém cuja ideia da traição até reforça a identificação do seu gênero.
E do outro lado, há as meninas.
Os homens são, desde cedo, ensinados a "pegar todas as menininhas". Quando traem são perdoados, afinal, "eles são homens, né?".
Já as mulheres, não. Mulheres devem amar, servir e se entregar de corpo e alma a um só homem. Porque isso é "da natureza feminina".
Vejam o caso do Mr. Catra que, pelo menos no meu círculo, as pessoas acham legal e batem palma pro poliamor quebrando os pilares da sociedade monogâmica e antiquada. Enquanto isso, em uma entrevista, ele disse que "tem mais de uma mulher¹, mas elas não podem ter outros homens".² Querer impedir as mulheres de fazer algo me parece bem antiquado.
Por isso que me preocupo com a escolha das mulheres. Porque por mais que o discurso do amor livre seja bonito na teoria, o que mais vejo na prática é ele servindo para que homens não assumam responsabilidades e compromissos e depois acusem as mulheres de serem conservadoras que não querem desconstruir a monogamia. A questão é que não há nada revolucionário em um homem adepto do amor livre. Ele não está desconstruindo nada, porque simplesmente não tinha uma monogamia construída.
Por mais bonitos que os ideais de liberdade pareçam, não se submetam a NADA que não as agrade pra manter uma relação. Não há liberdade onde há submissão.
¹ Sugiro que se use "esposa" no lugar de "mulher". Falar que "Fulana é a mulher de Ciclano" é uma forma terrível de afirmá-la como propriedade do homem.
² O link da entrevista se encontra aqui.
Escolha.
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| E de preferir relacionamentos monogâmicos também |
Bom, é claro que ninguém deve se submeter a uma situação em que não se sinta confortável só por parecer bonito e moderno. Contudo, há alguém nessa história que já não foi criado para a monogamia. Alguém cuja ideia da traição até reforça a identificação do seu gênero.
E do outro lado, há as meninas.
Os homens são, desde cedo, ensinados a "pegar todas as menininhas". Quando traem são perdoados, afinal, "eles são homens, né?".
Já as mulheres, não. Mulheres devem amar, servir e se entregar de corpo e alma a um só homem. Porque isso é "da natureza feminina".
Vejam o caso do Mr. Catra que, pelo menos no meu círculo, as pessoas acham legal e batem palma pro poliamor quebrando os pilares da sociedade monogâmica e antiquada. Enquanto isso, em uma entrevista, ele disse que "tem mais de uma mulher¹, mas elas não podem ter outros homens".² Querer impedir as mulheres de fazer algo me parece bem antiquado.
![]() |
| Muito bonita a liberdade |
Por mais bonitos que os ideais de liberdade pareçam, não se submetam a NADA que não as agrade pra manter uma relação. Não há liberdade onde há submissão.
¹ Sugiro que se use "esposa" no lugar de "mulher". Falar que "Fulana é a mulher de Ciclano" é uma forma terrível de afirmá-la como propriedade do homem.
² O link da entrevista se encontra aqui.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
A culpa não é das estrelas
Poderia ser um texto sobre astrologia, mas não é. É sobre culpabilização da vítima e traição, mesmo.
Toda vez que uma mulher é traída, famosa ou não, as pessoas dão palpite acerca dos motivos. Oras, ela provavelmente não estava comparecendo ou não estava se cuidando.
Quem nunca ouviu isso? Ou ainda, que mulher que foi traída não se perguntou o que havia feito de errado?
Isso é tão internalizado que a primeira declaração que ouvi sobre o assunto dentro da minha própria casa foi "se fazem isso com alguém como a Gisele, imagina o que não fariam comigo?".
"Alguém como a Gisele" (Bündchen) significa ser loira, branca, alta, magra, linda, padrão. Quando ela aparece nos noticiários por se separar após uma traição, a sociedade machista e misógina se contorce, com um enorme "UÉ" pairando sobre ela, afinal... Onde foi que ela errou? E o que explica uma traição é sempre o erro da mulher.
E agora? Se a culpa não pode ser depositada na mulher, quem culparemos?
Ah, sim. A outra mulher.
"Conheça a mulher que arruinou o casamento do casal tal"
"Veja fotos da mulher que destruiu o lar de Fulana e Ciclano"
A misoginia faz com que a mulher seja tratada com repúdio independentemente da sua posição na situação.
Se ela for a traída, ela não soube segurar o homem.
Se ela participou da traição, ela vai ser culpada, julgada e xingada.
Se ela trair, então, além do julgamento da sociedade, ela ainda corre o risco de sofrer estupro coletivo e/ou ser morta.
Mas o homem não. A culpa delas é sempre a desculpa dele. Porque enquanto ela é tratada como a vagabunda que deu em cima, ele é o pobre coitado que não pôde se segurar, já que os instintos masculinos são intocáveis; se uma mulher é abusada, o homem não conseguiu se conter. Se uma mulher é traída, pobre homem... Foi mais forte que ele.
Ano passado mesmo houve o caso de um casal de atores brasileiros que se separou por causa de uma traição da parte dele. Se você citar o nome dele, vão falar do seu trabalho mais recente ou qualquer coisa do gênero. Mas se citar o nome do "pivô da traição", você deve ouvir (como eu mesma já ouvi) "ah, aquela piranha que acabou com o casamento deles? Sei quem é."
NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA: O PIVÔ DA SEPARAÇÃO É QUEM TRAIU E SÓ
Ninguém deveria se meter na vida privada de ninguém, óbvio. Mas o fazem, e o fazem perpetuando uma demonização que acontece desde que nós somos socializadas. Porque mulher é traiçoeira, em mulher não se pode confiar, mulheres são inimigas, etc., etc..
"Vai me dizer que ela está certa em se envolver com ele sabendo do seu comprometimento?" Vou dizer nada sobre isso porque é tirar, mais uma vez, o holofote da discussão de quem ele deveria estar iluminando: quem traiu.
E quem traiu é quem devia fidelidade. Simples.
A culpa não é da mulher que foi traída. A culpa não é da mulher que se relacionou com o homem casado. A culpa não é das estrelas. A culpa é de quem traiu e ponto.
Toda vez que uma mulher é traída, famosa ou não, as pessoas dão palpite acerca dos motivos. Oras, ela provavelmente não estava comparecendo ou não estava se cuidando.
Quem nunca ouviu isso? Ou ainda, que mulher que foi traída não se perguntou o que havia feito de errado?
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| Fiz um mapa aqui e foi isso que deu |
"Alguém como a Gisele" (Bündchen) significa ser loira, branca, alta, magra, linda, padrão. Quando ela aparece nos noticiários por se separar após uma traição, a sociedade machista e misógina se contorce, com um enorme "UÉ" pairando sobre ela, afinal... Onde foi que ela errou? E o que explica uma traição é sempre o erro da mulher.
E agora? Se a culpa não pode ser depositada na mulher, quem culparemos?
Ah, sim. A outra mulher.
"Conheça a mulher que arruinou o casamento do casal tal"
"Veja fotos da mulher que destruiu o lar de Fulana e Ciclano"
A misoginia faz com que a mulher seja tratada com repúdio independentemente da sua posição na situação.
Se ela for a traída, ela não soube segurar o homem.
Se ela participou da traição, ela vai ser culpada, julgada e xingada.
Se ela trair, então, além do julgamento da sociedade, ela ainda corre o risco de sofrer estupro coletivo e/ou ser morta.
Mas o homem não. A culpa delas é sempre a desculpa dele. Porque enquanto ela é tratada como a vagabunda que deu em cima, ele é o pobre coitado que não pôde se segurar, já que os instintos masculinos são intocáveis; se uma mulher é abusada, o homem não conseguiu se conter. Se uma mulher é traída, pobre homem... Foi mais forte que ele.
Ano passado mesmo houve o caso de um casal de atores brasileiros que se separou por causa de uma traição da parte dele. Se você citar o nome dele, vão falar do seu trabalho mais recente ou qualquer coisa do gênero. Mas se citar o nome do "pivô da traição", você deve ouvir (como eu mesma já ouvi) "ah, aquela piranha que acabou com o casamento deles? Sei quem é."
NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA: O PIVÔ DA SEPARAÇÃO É QUEM TRAIU E SÓ
Ninguém deveria se meter na vida privada de ninguém, óbvio. Mas o fazem, e o fazem perpetuando uma demonização que acontece desde que nós somos socializadas. Porque mulher é traiçoeira, em mulher não se pode confiar, mulheres são inimigas, etc., etc..
"Vai me dizer que ela está certa em se envolver com ele sabendo do seu comprometimento?" Vou dizer nada sobre isso porque é tirar, mais uma vez, o holofote da discussão de quem ele deveria estar iluminando: quem traiu.
E quem traiu é quem devia fidelidade. Simples.
domingo, 26 de julho de 2015
Double standards e indignação seletiva
Há pouco li a notícia de que um garoto do meu bairro havia sido morto em uma tentativa de assalto. Meu bairro é uma mistura entre as mais variadas classes, então vou ser mais clara. Um garoto branco, classe média, detentor do bom e do melhor.
Queria saber qual seria a reação de seus amigos e entes queridos se eu postasse o link da notícia e dissesse que foi bem feito, porque bandido bom é bandido morto e que é menos um assaltando nossas famílias de bem por aí.
É claro que achariam um absurdo.
Porque realmente seria um absurdo, aliás. A questão é que é um absurdo falar isso de qualquer morte. Mas na realidade não é bem por aí.
Queria saber qual seria a reação de seus amigos e entes queridos se eu postasse o link da notícia e dissesse que foi bem feito, porque bandido bom é bandido morto e que é menos um assaltando nossas famílias de bem por aí.
É claro que achariam um absurdo.
Porque realmente seria um absurdo, aliás. A questão é que é um absurdo falar isso de qualquer morte. Mas na realidade não é bem por aí.
Vamos à uma matemática: 80% da população é a favor da pena de morte. E isso inclui as mortes de quando os juízes, na realidade, são os PMs. Sendo assim, dentre 20 pessoas que julgam a ação da PM na morte de um jovem branco de classe média, há 16 hipócritas.
Não digo que a morte de jovens brancos e abastados não deva ser lamentada. Repito que uma vida é uma vida e que deve, sim.
O que é isso? Bem, é o que acontece quando essas 16 pessoas lamentam esta morte, mas acham a do criminoso pobre e negro justa, porque foi menos um ser abominável na sociedade.
É o que acontece quando essas 16 pessoas acham que, quando é o jovem burguês, era bom e ainda teria uma vida pela frente. Mas debocham quando a mãe do jovem periférico diz na TV que seu filho era boa pessoa, já que o acham ruim de natureza e merece a morte por ser irrecuperável.
Essas 16 pessoas já devem ter reproduzido a frase "quando for um conhecido seu, você vai mudar de ideia". Pois bem, agora foi. Mas e você? Mudou de ideia?
Não digo que a morte de jovens brancos e abastados não deva ser lamentada. Repito que uma vida é uma vida e que deve, sim.
O que eu digo aqui é: double standards.
É o que acontece quando essas 16 pessoas acham que, quando é o jovem burguês, era bom e ainda teria uma vida pela frente. Mas debocham quando a mãe do jovem periférico diz na TV que seu filho era boa pessoa, já que o acham ruim de natureza e merece a morte por ser irrecuperável.
Essas 16 pessoas já devem ter reproduzido a frase "quando for um conhecido seu, você vai mudar de ideia". Pois bem, agora foi. Mas e você? Mudou de ideia?
Pra ficar mais claro, double standards é a expressão usada para situações quando são usados princípios e reações diferentes para situações similares.
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