quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O que esqueceram de contar às meninas sobre o amor livre

De uns tempos pra cá, vejo muitas pessoas aderindo ao amor livre, poliamor, relacionamentos abertos e coisas do gênero, inclusive eu. Há uma variedade de acordo com a escolha dos indivíduos. Namorar e poder se relacionar com outras pessoas, não namorar, namorar variás pessoas, enfim. O que eu quero falar aqui não é sobre os relacionamentos abertos em si, mas de uma palavrinha que eu acabei de usar.
Escolha.
E de preferir relacionamentos monogâmicos também

Bom, é claro que ninguém deve se submeter a uma situação em que não se sinta confortável só por parecer bonito e moderno. Contudo, há alguém nessa história que já não foi criado para a monogamia. Alguém cuja ideia da traição até reforça a identificação do seu gênero.
E do outro lado, há as meninas.
Os homens são, desde cedo, ensinados a "pegar todas as menininhas". Quando traem são perdoados, afinal, "eles são homens, né?".
Já as mulheres, não. Mulheres devem amar, servir e se entregar de corpo e alma a um só homem. Porque isso é "da natureza feminina".
Vejam o caso do Mr. Catra que, pelo menos no meu círculo, as pessoas acham legal e batem palma pro poliamor quebrando os pilares da sociedade monogâmica e antiquada. Enquanto isso, em uma entrevista, ele disse que "tem mais de uma mulher¹, mas elas não podem ter outros homens".² Querer impedir as mulheres de fazer algo me parece bem antiquado.

Muito bonita a liberdade
Por isso que me preocupo com a escolha das mulheres. Porque por mais que o discurso do amor livre seja bonito na teoria, o que mais vejo na prática é ele servindo para que homens não assumam responsabilidades e compromissos e depois acusem as mulheres de serem conservadoras que não querem desconstruir a monogamia. A questão é que não há nada revolucionário em um homem adepto do amor livre. Ele não está desconstruindo nada, porque simplesmente não tinha uma monogamia construída.

Por mais bonitos que os ideais de liberdade pareçam, não se submetam a NADA que não as agrade pra manter uma relação. Não há liberdade onde há submissão.

¹ Sugiro que se use "esposa" no lugar de "mulher". Falar que "Fulana é a mulher de Ciclano" é uma forma terrível de afirmá-la como propriedade do homem. 
² O link da entrevista se encontra aqui.  

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