Sobre os
acontecimentos recentes, vejo pessoas dizendo que a comparação
entre o que houve em Mariana e o que houve em Paris não deve ser
feita porque a) foram tragédias em âmbitos diferentes e que b)
tragédia é tragédia.
Pois bem, sobre a),
se o problema é a catástrofe ambiental, houve atentados terroristas
no Quênia, Nigéria, Tunísia, Kuwait e uma suspeita na Índia,
somente nesse último ano; sem falar em Beirute, nessa mesma semana.
Sobre b), o problema
é justamente que, na prática, esse discurso de que “tragédia é
tragédia” não funciona. E a partir de então, isso não pode ser
ignorado.
Quando se fala em
comoção seletiva, o problema maior não são as pessoas, é quem
passa a informação a elas. Porque enquanto a cada chamada de
noticiário há uma nova informação sobre a França, as pessoas
descobrem o que houve no Quênia sete meses depois, ou nem isso.
O problema não é o
Facebook sugerir foto em solidariedade à França.
O problema é eu não
lembrar de ele ter sugerido isso, por exemplo.
E ainda assim,
muitas vezes a informação é recebida e logo ignorada. O motivo é
claro e pode ser explicado pelo conceito de empatia.
em.pa.ti.a
sf (gr empátheia) Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma ora de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que ela está sentindo.
em.pa.ti.a
sf (gr empátheia) Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma ora de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que ela está sentindo.
Identifica.
Identificação. Se toda dor é dor, por que é tão mais fácil se identificar com a dor
europeia do que com as outras?
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| Imagem de Ribs: Filho feio não tem pai |
Não é olimpíada de tragédia, não. É simplesmente não ter a desonestidade de ignorar o holofote que existe virado pra Europa e pros Estados Unidos. Podem
justificar isso com “mas esses países são de maior importância,
então isso é normal”, mas… De maior importância? E o discurso
de que todas as tragédias são iguais?
E é obvio que
também sabem desviar esse holofote nos momentos mais oportunos; como
quando disfarçam que a história do Estado Islâmico em nada diverge
da história recente de países como os próprios Estados Unidos, que
corroboraram de forma direta – até mesmo com financiamento – ou
indireta para a sua formação.
Eu me solidarizo com
o povo francês. Mas com o Estado que, além de não se preocupar com
os civis Sírios que poderiam ser atingidos no seu ataque em Outubro,
instituiu leis que fomentam a xenofobia, não.
Estado esse que nem
ao menos sabe colher o que planta. Na realidade, mal dá pra dizer
que as populações colhem o que os Estados plantam. A elas só sobra
terra arrasada, mesmo.
Nota: o texto está bem, bem bem, bem (...) resumido. É impossível falar de uma questão tão complexa e sentir que ficou completo.
Nota: o texto está bem, bem bem, bem (...) resumido. É impossível falar de uma questão tão complexa e sentir que ficou completo.

