Antes de tudo, algumas considerações:
Não falo pelo feminismo como um todo. Não sou, nem de longe, algum tipo de líder do movimento. Falo do que acredito que seja o "meu" feminismo. E escrevo isso pra você, mulher, que está lendo, se sentir encorajada a construir o seu, caso ainda não tenha feito.
O feminismo hoje é um movimento muito abrangente (e é muito bom pensar no número alto de mulheres que hoje se declaram feministas), mas considerando a variedade de mulheres envolvidas, algumas generalizações geram uma ideia "errada" da causa.
E "errada" entre muitas aspas, porque não dá pra dizer que algo é absolutamente certo ou errado. São apenas vertentes e pontos de vista diferentes. O meu não é perfeito. Tudo isso se trata de evolução, de um trabalho interno que demanda tempo. Pra algumas mais, pra outras menos. Nenhuma formação de valores é igual a outra e isso afeta diretamente na desconstrução dos mesmos.
A primeira distorção sobre o movimento que se deve tirar da mente é: feminismo é a ideia de que mulheres são superiores aos homens. Se você acha que deve haver igualdade social, política e econômica entre os gêneros e que a opressão do masculino sobre o feminino deve acabar, bem... você está no caminho para ser feminista.
"Então por que é feminismo e não igualismo?"
Porque pra alcançar essa igualdade, antes de tudo, precisa haver uma emancipação feminina. Imagine o seguinte: Há duas pessoas correndo, a A está mais à frente que a B. Para a B alcançar a A, ela precisa correr mais rápido durante um tempo. A pessoa A é o gênero masculino, o B o feminino e essa corridinha mais acelerada é o feminismo.
Mas se é "só" isso, por que muitas meninas têm receio em dizer "eu sou feminista"?
Primeiro, o feminismo é tratado praticamente como um palavrão. Há um estigma de que toda feminista é peluda, feia e "mal comida" (e não teria problema nenhum em ser. Você não é obrigada a se depilar; "feiura" é um juízo de valor construído por padrões midiáticos; e o termo "mal comida" segue ideais falocêntricos de que a vida da mulher gira em torno do órgão sexual masculino. O feminismo te ajuda a desconstruir tudo isso). Mas, como na nossa sociedade o certo é ser depilada e linda ("bem comida" você não pode ser. Isso também é coisa de "feminista vagabunda". Vai entender), ninguém quer levantar a bandeira e automaticamente ser associada a essa imagem.
Segundo, quando se trata das relações entre homens e mulheres, nossa criação se baseia na aceitação masculina, que tudo que a menina deve fazer é para agradar os homens. E, é óbvio, feminismo não é algo que costume agradá-los. Já cansei de ler por aí "boa mesmo é mulher machista" e derivados. E considerando toda essa criação, isso é algo que cativa. A mulher quer ser vista pelo cara como a mulher boa, a melhor que as outras. Somos criadas com a noção de que todas as outras mulheres são traiçoeiras, falsas, nossas inimigas e que devemos aniquilá-las. Parece absurdo, mas é assim.
E é aí que entra a noção da "sororidade". Em uma visão meio básica, ela vem pra contrapor essa ideia infundada de que devemos nos odiar, quando, na verdade, estamos todas no mesmo barco e devemos nos unir (para combater o patriarcado e as forças do mal).
A sororidade é uma das ideias mais poderosas que vem com o feminismo. Algumas coisas mágicas acontecem quando você a abraça, como:
Você percebe que não precisa haver uma competição pela atenção masculina. Você não precisa odiar uma menina só porque ela é "mais bonita que você". Todas vocês são lindas. Esquece a música do One Direction que diz que você é bonita por não saber que é bonita. Isso pode parecer absurdo no início, mas o que te faz linda é se amar como você é. Suas estrias, celulites, seu cabelo, etc.... Vá pegando todo o padrão de beleza pré-estabelecido, tudo que tente te convencer do contrário e rasgue.
Você percebe que não existem "piranhas", "vadias", "vagabundas" ou qualquer forma de slut-shaming (que é, por definição, o ato de depreciar uma mulher por ter um comportamento sexual que desvie daquele que é esperado que ela tenha). Estes só servem pra tentar restringir e crucificar a liberdade sexual feminina e devem ser abolidos do nosso vocabulário. Se hoje você chama uma mulher de "piranha", amanhã você é quem pode ser chamada. Pense no quanto você não gostaria de ser chamada por alguns desses termos e repense antes de atribuí-los a alguém. E, fora isso, o uso destes é errado por si só. Você, em sua condição de dona do próprio corpo, deve decidir o que fazer com ele sem ter sua reputação julgada por isso (e, consequentemente, sem julgar as outras também).
E lembre-se do principal: o feminismo não quer te obrigar a nada.
O feminismo quer justamente te libertar. Tem a ver com escolha: de se depilar ou não, de ser feminina ou não, de usar batom ou não, de dar ou não, de ser mãe ou não.
"Mas eu não quero ir pra rua protestar sem roupa/ Mas eu quero esperar até o casamento/ Mas eu não quero passar o rodo por aí..."
Isso é ótimo! Mostra que você sabe impor suas vontades. Então, não tenha medo de fazer isso com todas as suas outras escolhas. Só é importante ter certeza de que você está escolhendo porque é o seu querer, não porque te ensinaram que você deveria escolher isso.
Então, meninas, mulheres, moças: conversem com outras mulheres, tirem dúvidas, deem apoio, tentem desconstruir o que lhes foi ensinado, empoderem-se... Libertem-se.
(P.s: Isso tudo é o básico do básico do básico. Caso alguém queira conversar sobre algum assunto mais específico, meu twitter é @tellarobs. <3)


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