Por mais que tudo que eu vá falar seja óbvio, é o que pede o momento. Sei que nem palavras de conforto costumam ajudar quem passa por essa situação, ainda mais de quem não sabe o que é passar por ela. Tudo bem, há um sistema que essas pessoas precisavam seguir e falharam nisso. Mas não é que eu tente tirar a culpa de quem reprova. A questão é que a falha pode não estar nessas pessoas, mas sim no modo que funciona o nosso sistema educacional.
Basicamente, na maior parte das vezes, ele não educa.
A reprovação não deveria ser estigma de "gente burra". Deveria ser só um atestado de que você não aprendeu o conteúdo daquele ano e precisa vê-lo de novo (isso sem entrar na competência de que os ensinos fundamental e médio não funcionam como o superior; neles, você é considerado inadequado em uma matéria e precisa ver outras dez todas de novo). Mas, na prática, o sistema sabe diferenciar aprender de conseguir decorar alguns dados e esquecer uma semana depois? Provavelmente não. Concluí todo meu ensino fundamental e médio sem reprovar. E isso nem de longe significa que eu tenha aprendido. Talvez eu devesse ter reprovado; se você me perguntar qual a fórmula da lei dos cossenos, eu não faço a menor ideia. As notas são dadas de 0 a 10. Se eu tiro 7, significa que eu aprendi 70% da matéria e estou apta a passar de ano? Não. Significa que eu fui capaz de enfiar alguns pontos na minha cabeça e cuspir na prova.
O ensino se tornou repetitivo; não há estímulo à criatividade, nem àquilo que se prefere ou tem mais afinidade; o estudo é extremamente individualizado. O que importa é apenas produzir resultados, como passar de ano ou no vestibular. Por mais que eu tenha lidado com professores que tentam fugir a esse padrão The Wall¹ (passando trabalhos em grupo - o que é muito importante - que nos façam pensar), no geral, é disso que o ensino ainda se trata.
Se até a Secretaria de Educação do RJ chamou a educação de linha de produção, quem sou eu pra dizer o contrário?Então, se você não quer culpar o sistema, se culpe por não se adequar a ele, por não ter uma memória boa, por ter um emocional desequilibrado que te impede de manter a calma em provas e exames, culpe os céus. Mas não se sinta burro, um desperdício, nem nada disso. Você é bem mais do que um sistema falido que instituições consideradas como "as mais incríveis do mundo" por essa lista já até abandonaram.
¹ The Wall é um filme baseado no álbum homônimo da banda Pink Floyd. Em uma cena, há uma crítica a esse caráter padronizador, repetitivo e hierárquico das escolas. Aqui para quem quiser ver. Recomendo que assistam ao filme inteiro.
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